Imagem frequente numa travessia dos Pirenéus. Visíveis são também as 'cercas' anti-avalanche na encosta.
Imagem frequente numa travessia dos Pirenéus. Visíveis são também as 'cercas' anti-avalanche na encosta.
Bem perto do El Escorial pode visitar-se o Vale de los caídos. Apesar de ser um templo religioso, todo o complexo monumental, que inclui também uma abadia, é um ícone do Franquismo em Espanha. O ditador pretendeu homenagear os mortos na Guerra Civil mas a sua construção foi realizada em grande parte por prisioneiros do regime, o que fez deste espaço um símbolo da repressão da ditadura. A sepultura de Francisco Franco encontra-se dentro desta Basílica, ali bem perto das tumbas dos reis de Espanha.
El Escorial, Espanha. Um lugar cheio de história, onde estão sepultados os reis de Espanha, como é o caso dos Filipes de má memória para Portugal.
Sabem quantos países com governo socialista restam agora em toda a União Europeia?
Três.
Grécia, Portugal e Espanha !!
"o socialismo dura até se acabar o dinheiro dos outros"
Margaret Thatcher
recebido por mail.
Partilho convosco o texto que lavrei no Livro de Honra das celebrações dos 450 anos da Freguesia do Juncal.
"Gosto de imaginar todos os nossos antepassados sentados numa assembleia a avaliar o nosso dia-a-dia.
Imagino-os a observar as nossas acções com compreensível interesse, pois tudo o que foram e conseguiram está hoje nas nossas mãos. A responsabilidade não é pequena.
Foi com este pensamento que me vi envolvido na organização das comemorações dos 450 anos da Freguesia do Juncal.
Apesar do peso da responsabilidade em homenagear devidamente os que nos antecederam, foi um enorme prazer ter pertencido ao núcleo da comissão informal que se constituiu. Sem ter dúvidas de que o lugar onde vivemos é uma parte do que somos, ao longo deste ano celebramo-nos também a nós próprios e aos laços que nos unem.
Para o futuro ficam as efémeras memórias da espontaneidade com que toda população se envolveu e colaborou em todas as iniciativas, mas fica também a fonte do Largo de São Miguel que os juncalenses quiseram reposta no centro da sua terra. Deixar perdê-la é deixar perder a nossa memória, o que não é aceitável. Será um dia possível recuperar as pedras originais em falta? Seria bonito.
Foram muitos os que sugeriram repetir algo idêntico no 500º aniversário, mas essa ideia é demasiado distante, até porque celebrar os nossos antepassados, as nossas tradições e a nossa identidade deve de ser feito com mais frequência, de preferência todos os dias."
O assunto nacional com maior cobertura mediática de ontem foi o protesto das escolas privadas contra os cortes no financiamento decididos pelo governo. Os 110.000 eur anuais por turma serão reduzidos para 80.000 eur, o que corresponde a uma diminuição (ou deverei dizer variação negativa?) de 27%. Em consequência disso algumas escolas irão fechar, mas não todas.
Questionei-me se a redução do financiamento das escolas públicas será da mesma proporção. Não acredito. O instinto de auto-preservação de Sócrates não lhe permite beliscar a coutada do Sr. Nogueira. Não foi bem sucedido quando estava em maré alta e muito menos o seria agora.
Se todo o universo escolar funcionasse em regime idêntico aos dos estabelecimentos que agora protestam, as vantagens orçamentais seriam imensas. A despesa com a educação seria flexível e, lembrando que nove das dez melhores escolas nacionais são privadas, a qualidade do ensino seria superior. Seria o melhor dos dois mundos mas isso colocar-nos-ia numa sociedade neo-liberal. Deus nos livre de semelhante desgraça.
Na conferência de imprensa que deu hoje, a Ministra Alçada, talvez num deslize irreflectido, verbalizou uma ideia que apesar de não ser surpreendente acabou por ser interessante por confirmar um preconceito mal disfarçado.
Segundo nos informou, os valores até agora transferidos permitiam que algumas das escolas «obtivessem elevadas margens de lucro». Lá está, o lucro, o 'mau da fita', o demónio da sociedade socialista. Temos de nos unir para destruir esse monstro.
Nisso o governo é bem sucedido. Estamos quase lá.
"Houve muitos derrotados nas presidenciais de ontem. Mas gostava de destacar uns em particular: a ala do Bloco de Esquerda que sonha com o poder. Uma franja, que até ocupa um espaço considerável no panorama mediático, cujos objectivos passam objectivamente pela partilha de poder com o Partido Socialista. Sem nunca o admitirem em público, tudo fizeram para esta convergência (falhada) da esquerda em redor de Manuel Alegre, já a pensar numa futura coligação entre o BE e o PS pós Sócrates. O que os resultados de ontem colocaram em evidência é que esta coligação, além de contra-natura, não tem hipóteses de sucesso eleitoral em Portugal. A esta malta do BE nada mais lhes resta senão o caminho, que alguns até já têm trilhado, de abandono do BE e aproximação do PS."
Recortado do 31 da Armada, post de Nuno Gouveia
Hoje é dia de reflexão. Amanhã é um dia em que os portugueses deveriam sentir alegria pelo exercício de um direito pelo qual se lutou durante décadas e, em alguns lugares do mundo ainda se luta. É pena mas encontramos mais facilmente cepticismo, desilusão e medo do que alegria.
Pelo contacto que tenho com um segmento específico e bem conservador dos portugueses, ouvi apenas falar em eleições pela boca de uns poucos, dos quais destaco duas fortes referências ao voto em Cavaco pelo medo dos outros, dos comunistas, dos radicais, da esquerda em geral. E não valeu a pena lembrar a facilidade com que aceitou a lei dos casamentos gay pois a resposta foi pronta: os outros fariam pior.
O conceito de auto-infalibilidade que Cavaco tem de si próprio, que quando se distrai o faz apresentar-se como uma espécie summit da evolução do homo politicus, é serôdio e idiota. Claro que numa segunda volta também eu votaria Cavaco contra o resto da esquerda, e digo 'resto' pois ele é também parte dela. Mas as sondagens garantem-nos que não vale a pena votar nele, pois já ganhou. OK, não leva o meu voto.
Posto isto, resta-me o voto irresponsável num dos restantes dworfs que constam no boletim de voto ou o ineficaz voto em branco.
Confesso que há algo na figura de Fernando Nobre que merece uns minutos de reflexão pré-eleitoral. Chega às eleições vindo de fora da partidocracia, não é fluente no politiquês, tem uma vivência internacional como nenhum outro candidato, foi ostracizado pelos media que gosta de gozar com os cromos (clarifico que todos estes pontos são para mim uma vantagem) mas tem um óbice tremendo... é um activista. Ter um activista como Comandante Supremo das Forças Armadas é algo assustador.
Talvez por culpa dos jornalistas que nunca ousaram perguntar-lhe, Nobre nunca nos informou o que pensa da NATO, nem do papel das nossas forças armadas no seu âmbito. Claro que nenhum dos outros candidatos foi confrontado com essa questão, mas à excepção de Alegre que está encravado entre o PS e o BE, a resposta de qualquer dos restantes candidatos seria previsível.
Talvez em jeito de uma epifania irreflectida, dei por mim a reparar que, da mesma forma que Cavaco não necessita do meu voto, este também não será suficiente para que Nobre ganhe. Além de que, confesso, há um cenário que amanhã me deixaria Alegre: ver Nobre como o segundo mais votado.
O melhor é ir votar cedo antes que isto me passe.
A Alsácia foi uma região disputada entre a França e a Alemanha ao longo da história e tem por isso influência dos dois países.
Trafalgar Square, que homenageia Lord Nelson, vencedor da Batalha de Trafalgar contra a armada de Napoleão.
De regresso ao sul, arriscamos a meter a Renault Kangoo no estranho trânsito londrino. Picadilly Circus na imagem.
"Se o FMI viesse pagaríamos uma taxa de juro mais baixa e teríamos a certeza que as medidas de austeridade seriam aplicadas de forma rigorosa e produziriam efeitos positivos. Mas o Primeiro Ministro ficaria coberto de vergonha. Se pagarmos com taxas mais altas para o FMI não vir, salvamos a face de José Sócrates."
Recortado daqui.
Interessa comparar com este excerto do Público.
"Os custos do Governo com a dívida pública devem atingir este ano os 7100 milhões de euros, mais do que o Estado gasta, por exemplo, com todo o Ministério da Educação. A escalada das taxas de juro nos mercados internacionais está a pressionar as contas e vai fazer Portugal gastar, este ano, mais 808 milhões de euros do que aquilo que se previa no Orçamento do Estado (OE). Este valor equivale a quase toda a poupança que o Governo vai obter com o corte de cinco por cento na massa salarial da função pública ou a 80 por cento das receitas extraordinárias decorrentes do aumento do IVA."
Para países pequenos, a eleição para um dos 10 assentos não permanentes no Conselho de Segurança da ONU é uma oportunidade única para terem uma palavra importante nos maiores debates políticos mundiais. É o equivalente diplomático a passar-se das ligas secundárias para a Super Liga. E não é só uma vitória política: estudos mostram que os membros temporários do Conselho de Segurança recebem 59% mais assistência dos EUA dos que aqueles que não são membros e têm 20% mais de probabilidade de receberem ajuda do FMI durante o seu mandato de dois anos e nos anos seguintes. (...)
Joshua E. Keating, Foreign Policy
O jornal publicou uma reportagem sobre locais passíveis de levar turistas ao “fim do mundo”, selecionando 41 locais, desde praias no México às montanhas do Kosovo, passando por Londres, Singapura, Milão e Guimarães, entre outras cidades e locais de todo o mundo.
No artigo, o jornalista refere que Guimarães, cidade berço da nação, é Património Mundial da Humanidade e foi escolhida para Capital Europeia da Cultura em 2012.
Adianta que metade dos habitantes de Guimarães é constituída por jovens e considera que a abertura do Centro Cultural Vila Flor, em 2005, foi fundamental para lançar a música e a arte na cidade.
O artigo destaca ainda a realização, em Março, do primeiro Festival Internacional de Dança Contemporânea, “trazendo uma seleção impressionante de companhias de dança de todo o mundo”.
recortado do Público

Os socialistas portugueses estão escandalizados com o benefício obtido por Aníbal Cavaco Silva num investimento realizado no BPN, o que num país que demoniza o lucro até nem surpreende.
Sabem mas querem ignorar, que a compra de acções fez parte de uma carteira de investimento que incluía a compra de outros títulos de capital.
Sabem mas querem ignorar, que o escândalo do BPN chegou a valores que ainda desconhecemos em detalhe devido a graves falhas da supervisão do BdP. Não lhes interessa que isso seja lembrado pois ninguém deixa de associar as relações entre o ex-Governador Vítor Constâncio e o partido no poder.
Sabem mas querem ignorar, que se a nacionalização que o governo decidiu, num acto de um voluntarismo temerário inédito, se limitasse ao BPN e excluísse a SLN, os cinco mil milhões de euros a que ascenderá o buraco seriam limitados um valor cerca de dez vezes menor.
Sabem mas querem ignorar, que as 90.000 crianças que previsivelmente nascerão em 2011 em Portugal, têm 500€ de dívida como prenda do governo PS, sendo que este valor se refere apenas ao buraco do BPN. Será um cheque-bebé, mas ao contrário.
Não sabem e nem querem saber, que se continuam a falar muito do BPN, eu que não iria votar Cavaco, talvez eu mude de ideias e ainda o venha a fazer.
Uma das iniciativas que mais marcaram as celebrações dos 450 anos da criação da Freguesia do Juncal, foram as tertúlias. Na primeira sexta-feira de cada mês um tema foi apresentado e debatido na Escola de Música do Juncal. Os temas foram muito diversos mas todos, de uma forma ou de outra ligados à história e às tradições do Juncal.
Durante o mesmo período de tempo recolhemos fotografias antigas, mais de 300, e com elas editamos um CD que continua disponível para venda por um valor simbólico, destinado a cobrir apenas as despesas da sua produção.
Era intenção da Comissão Organizadora dos 450 anos que a recolha de fotos antigas fosse apenas uma primeira fase do que poderá vir a ser no futuro um arquivo da nossa memória colectiva. Nesse sentido pretendemos identificar todas as pessoas, ou o maior número possível, das fotos já recolhidas e para isso precisamos da ajuda de todos.
Na próxima sexta-feira, na Escola de Música, no primeiro piso do edifício da Biblioteca do Juncal, serão projectadas algumas das fotografias já recolhidas.
Apareçam e divulguem.
«O poder americano, segundo Joseph Nye
Quando Joseph S. Nye escreve sobre “poder” convém prestar alguma atenção, ou não fosse este homem um dos principais responsáveis pelo conceito da “interdependência” complexa nas relações internacionais.
Num artigo sobre o futuro do poder americano, assinado na última edição da Foreign Affairs,o co-autor (o outro foi Robert Keohane) do famoso livro Power and Interdependence (1977) desconstrói, de certa maneira, a ideia instalada de que o poder da América entrou em declínio no século XXI.
Nye começa por sublinhar que qualquer análise de previsão para as próximas décadas contempla um grau elevado de incerteza, sobretudo quando assenta em interpretações enviesadas dos indicadores e factores de poder dos Estados Unidos.
Aquele autor relembra, por exemplo, as estimativas sobrevalorizadas feitas por Washington em relação ao poder militar soviético, nos anos 70, ou ao poder económico japonês, na década de 80. Tal como se enganaram aqueles que ainda há dez anos diziam que o sistema internacional iria assentar num paradigma unipolar liderado pelos Estados Unidos, e estes seriam tão poderosos que aos outros países não restaria outra hipótese senão acatarem a vontade de Washington sem qualquer tipo de contestação.
Ora, estas previsões ou análises revelaram-se, de uma forma ou de outra, erradas. Da mesma maneira que Nye considera sobrevalorizados os prognósticos mais pessimistas em relação à evolução negativa do poder americano no sistema internacional durante este século XXI. Sobretudo quando essas previsões apontam para a ascensão da China como líder mundial, ultrapassando os Estados Unidos em termos de poder.
Nye rejeita esta ideia. Embora admita que a China continue a registar taxas de crescimento económicas muito elevadas durante as próximas décadas e que se aproxime dos Estados Unidos, dificilmente o Império do Meio se tornará a maior potencia mundial durante este século.
Aquele autor alerta para um erro comum entre os analistas que é o de fazerem previsões baseadas exclusivamente no crescimento do PIB, ignorando por completo outros factores de poder (“hard” e “soft”), muitos dos quais resultado de décadas de investimento.
Nye tem toda a razão neste ponto, já que uma análise do crescimento do PIB oferece apenas uma perspectiva unidimensional, não reflectindo, assim, a verdadeira dimensão do poder de um Estado. E nesta matéria Nye diz que muitos dos analistas têm ignorando o avanço que os Estados Unidos levam em relação a qualquer outra nação em termos de “hard power” (militar, espaço geográfico, recursos, etc) e “soft power” (democracia, “Public Diplomacy”, “R&D”, poder de atracção, etc),
É um facto que países como a China, a Índia ou a Alemanha têm potenciado o crescimento daqueles dois níveis de poder, “obrigando” os Estados Unidos a enfrentar as exigências da interdependência entre os Estados.
Sob esta perspectiva pode-se falar de um “declínio relativo” de poder dos Estados Unidos face a outros países, não tanto pela fragilização do poder americano, mas sobretudo pela valorização dos vários recursos que algumas nações têm potenciado. Mas o processo de equilíbrio de poder entre essas nações e os Estados Unidos poderá demorar décadas ou nem sequer vir a existir.
O sistema internacional é hoje, e deverá ser durante muitas décadas, unimultipolar, já que dificilmente surgirá outro pólo de poder tão afirmativo como os Estados Unidos.
Para se compreender o abismo de poder entre a América dos dias de hoje com os restantes países basta ver três exemplos:
a) No campo militar nenhum Estado consegue chegar perto do complexo e das estruturas militares americanas, muito menos a China, que tem, por exemplo, um Exército mal preparado e equipado e uma marinha praticamente inexistente (embora tenha começado recentemente a investir forte nesta área);
b) No sector da investigação e desenvolvimento, em 2007 os Estados Unidos investiram 369 mil milhões de dólares, mais do que todo o investimento feito pelos países asiáticos (338 mil milhões). A União Europeia investiu nesse ano 263 mil milhões. Ou seja, os Estados Unidos foram líderes nesse investimento, com 2,7 por cento do seu PIB, quase o dobro do que a China investiu. O resultado traduziu-se no registo de mais de 80 mil patentes nos Estados Unidos, mais do que o somatório de todos os países do mundo;
c) A capacidade de atrair mão de obra qualificada e técnicos altamente especializados é cada vez mais um factor de poder a ter em consideração e neste campo os Estados Unidos (após um breve período de medidas securitárias hiper-restritivas na sequência do 11 de Setembro) estão a reforçar a sua liderança. Nye sublinha a capacidade que os Estados Unidos têm de atrair as melhores e mais brilhantes mentes de todo o mundo e misturá-las num ambiente cultural diverso de criatividade. Por exemplo, em 2005, os imigrantes ajudaram a fundar uma em quatro “start-up's” de base tecnológica em Silicon Valley
É por estas e outras razões que Nye rejeite a ideia de “declínio absoluto” dos Estados Unidos, deixando, no entanto, a ideia de que se está perante um “declínio relativo” tendo em conta a potenciação e o melhor uso dos recursos de poder por parte de outras nações.
E talvez para se compreender melhor esta dinâmica será interessante recorrer-se à imagem elaborada pelo próprio Nye. Para este, a distribuição do poder assemelha-se um complexo jogo tridimensional de xadrez, onde num primeiro nível se encontra o poder militar, dominado pelos Estados Unidos num sistema claramente unipolar. Num segundo patamar vem o poder económico, sendo que o sistema tende a ser mais multipolar, com os Estados Unidos a partilharem a liderança com a Europa, o Japão, a China e outros países emergentes. Por fim, estão as relações transnacionais que incluem todo o tipo de actores não estatais, e aqui o poder é bastante difuso sendo difícil encontrar um modelo estanque que enquadre esta realidade.
Perante esta problemática, Nye defende uma “nova narrativa” sobre o futuro do poder americano.
Dizer que o século XXI é uma espécie de transição para o declínio do poder dos Estados Unidos é uma visão errada e, na opinião de Nye, pode ter implicações perigosas para o próprio sistema internacional, tais como, por exemplo, encorajando a China ou outros actores em “aventuras” irresponsáveis, partindo do pressuposto da subvalorização das verdadeiras capacidades americanas.
Nye alerta que o verdadeiro problema do poder americano no século XXI não é o seu declínio, mas sim o que fazer com este à luz da emergência de outros pólos de poder de modo a que os Estados Unidos alcancem os seus objectivos nas relações internacionais.
E é aqui que Nye, tal como a secretária de Estado, Hillary Clinton, fala numa nova forma de poder, o “smart power”. Um poder que combina recursos do “hard” e do “soft power”, o que necessariamente pressupõe um novo entendimento sobre o conceito de poder.»
Recortado daqui.
"Graças às inesperadas e arrasadoras medidas recém anunciadas quando às prestações para a Segurança Social, a imensidão de portugueses que trabalhava a recibo verde vai ter de correr a uma consevatória para criar uma empresa unipessoal. Quem não o fizer será ainda mais penalizado do que já era, e acrescentará à precaridade da sua situação uma pesada contribuição para o famigerado Estado Social de faz-de-conta, que cada dia lhe garante menos apoio em todas as frentes. Mais uma esperteza encapotada deste (des)governo criminoso, que anunciará - aposto! - uma "explosão de novas empresas que revela uma economia florescente e saudável", e arrecadará cerca de quinhentos euros por cada uma delas (o custo inicial aproximado da criação de uma "empresa na hora"). Quantas sobreviverão já é outra história, irrelevante para as estatísticas de crescimento a apresentar, triunfalmente, aos vorazes "mercados" que têm de ser acalmados. Simplex, não?"
Roubado daqui.
boas
és o meu único contacto online
bom ano
boas.. bom ano
que tudo te corra de feição e com intervenção
igualmente
é preciso esperar pela madrugada do ano novo para que o facebook seja um lugar sossegado
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Foi assim que começou uma conversa que poderia ter acontecido na tangente de um qualquer balcão de onde se sirvam bebidas, mas acabou por ser no facebook.
Só por ter acontecido assim, tête à tête, mano a mano, a solo, no imenso ponto de encontro de muitos milhões de pessoas que por sua vez têm biliões de amigos (e é tão cool ter biliões de amigos), já seria um encontro especial. Mas mais do que isso foi também uma feliz coincidência.
Uma vez li algures sobre dois radio-amadores desconhecidos, oriundos de hemisférios distintos, cujas frequências se tocaram aleatoriamente no éter. Depois de começaram a conversar acabaram por falar sobre as coisas que eram para si mais importantes, as mesmas que sem saberem porquê, não partilhariam com os amigos mais previsíveis. Fizeram-no reciprocamente para depois disso se despedirem com um longo e verdadeiro abraço radiofónico. Nunca mais se encontraram.
Não é isso que pretendo que acontece entre mim e o meu interlocutor, mas lembrei-me que esse será o sentimento que terá levado Plutarco a escrever a frase que serve de mote a este blog. O acaso é Deus quando viaja incógnito.
Feliz 2011
Bernard-Henri Lévy defendeu esta semana, no El Pais, que “os cristãos formam hoje, à escala planetária, a comunidade perseguida de forma mais violenta e na maior impunidade”. Mais: “enquanto o anti-semitismo é considerado um crime e os preconceitos anti-árabes ou anti-ciganos são estigmatizados, a violente fobia anti-cristã que percorre o mundo não parece ter qualquer resposta”.
Curiosas palavras vindas de um não-cristão, interessantes considerações proferidas por quem, em tempos, ajudou a fundar o SOS-Racismo. E singularmente coincidentes com as de Bento XVI que, na sua mensagem a propósito do próximo Dia Mundial da Paz, também notou que “os cristãos são, actualmente, o grupo religioso que padece o maior número de perseguições devido à própria fé”.
São raras as notícias sobre estas perseguições, mas isso não significa que elas não existam – apenas que não lhes é dada a importância que merecem. Parece mesmo existir uma espécie de sentimento de culpa que leva a que, ao mesmo tempo que se destacam os ataques aos crentes de outras religiões, se subvalorizam aqueles de que são vítimas os cristãos – católicos, ortodoxos, evangélicos, baptistas e por aí adiante.
Vejamos alguns exemplos recentes. Na Nigéria o Natal foi marcado por uma série de atentados, de que resultaram 86 mortos, todos reivindicados por uma organização islamista. Em Hanói as autoridades proibiram uma celebração protestante e a polícia carregou sobre os crentes que rezavam na rua. No Azerbaijão foi aprovada legislação que aumenta as multas aplicáveis a todos os grupos que tenham actividade religiosa sem antes se terem registado oficialmente. No Paquistão uma mulher cristã, Asia Bibi, foi condenada à morte por blasfémia. No Irão foram muitos os cristãos que passaram o Natal na cadeia, alguns deles acusados de apostasia (terem trocado a fé muçulmana por outra). Pouco antes do Natal um grupo de cristãos coptas foi morto no Egipto perto da sua igreja. Nas Filipinas uma bomba feriu 11 pessoas durante uma missa no dia de Natal. Na cidade chinesa de Chendgu a polícia invadiu uma igreja na véspera de Natal e levou presos 17 crentes, incluindo uma mulher grávida. Na Índia ocorreram ataques contra comunidades cristãs conduzidos por fundamentalistas hindus. E, no Iraque, onde a intensidade do ataque às comunidades cristãs tem levado a um êxodo em massa, várias cerimónias natalícias foram canceladas após terem sido recebidas ameaças de grupos ligados à Al Qaeda.
Bernard-Henry Levy acrescenta a estes muitos outros exemplos, incluindo a prisão de uma jovem internauta na Palestina de Mahmud Abbas, a tentativa de assassinato do arcebispo de Kartum, Gabriel Zubeir Wako, a perseguição aos cristãos evangélicos da Eritreia, ou a morte a tiro do padre Christian Bakulene na República Democrática do Congo. O terrível destino da comunidade de monges franceses que vivia num mosteiro católico na Argélia e foi assassinada por um grupo de fundamentalistas islâmicos, e que Xavier Beauvois nos conta no belíssimo filme “Dos Homens e dos Deuses” (ainda em exibição), está longe de ser um exemplo isolado de violência sectária.
Não faltará quem, como alerta o filósofo francês, esteja pronto a fechar os olhos perante estes crimes lembrando o antigo estatuto de religião dominante do Cristianismo. É um disparate imenso sob todos os pontos de vista. Primeiro, porque todas as vidas humanas têm o mesmo valor, e nada nos permite diminuir a integralidade de qualquer ser humano, seja ele hindu, muçulmano, ateu ou cristão. Depois, porque se é verdade que os cristãos, como tantos outros, promoveram “guerras santas”, não se pode ignorar que a emergência dos valores modernos da liberdade, da igualdade e da dignidade humana medrou em sociedades cristãs, nelas tendo ganho corpo e foros de cidadania muito antes de tal ocorrer noutras civilizações. É bom recordar, por exemplo, que na primeira república democrática moderna, os Estados Unidos, a liberdade religiosa antecedeu a liberdade política e, como justamente notou Tocqueville, a forte presença da religião na sociedade não impediu a criação de um Estado forte e separado das igrejas.
Bento XVI, que dedica precisamente a sua mensagem de 1 de Janeiro de 2011 à liberdade religiosa, nota que esta se radica “na própria dignidade da pessoa humana” e está “na origem da liberdade moral”, pois se estabelece que “cada homem e cada grupo social estão moralmente obrigados, no exercício dos próprios direitos, a ter em conta os direitos alheios e os seus próprios deveres para com os outros e o bem comum”, como proclamou o Concílio Vaticano II. Invocando a Declaração Universal dos Direitos do Homem, o Papa defende que excluir a religião da vida pública torna mais difícil “orientar as sociedades para princípios éticos universais” ou “estabelecer ordenamentos nacionais e internacionais nos quais os direitos e as liberdades fundamentais possam ser plenamente reconhecidos e realizados”.
Na mira do chefe da Igreja Católica está um laicismo radical que se traduz na “hostilidade contra a religião” e numa limitação ao “papel público dos crentes na vida civil e política”. É neste quadro que Bento XVI não se limita a desejar que terminem as perseguições sectárias aos cristãos na Ásia, em África ou no Médio Oriente, mas também faz votos para que “cessem no Ocidente, especialmente na Europa, a hostilidade e os preconceitos contra os cristãos pelo facto de estes pretenderem orientar a própria vida de modo coerente” com os seus valores.
Em causa não está a laicidade das instituições ou o direito de crítica, que no Ocidente é exercida com veemência sem que suscite apelos à censura por parte das igrejas cristãs (ao contrário do que sucede com os muçulmanos). Em causa está, isso sim, saber se é legítimo despedir uma enfermeira em Inglaterra porque esta insistiu em usar um crucifixo. Ou se, também em Inglaterra, é legítimo levantar um processo contra um psicólogo que distribuiu aos seus colegas de serviço um desdobrável sobre os efeitos negativos do aborto com base no argumento de que isso é “perturbador”.
Entretanto chegam-nos de Espanha outro tipo de notícias perturbantes. Em Lérida um imã radical criou uma milícia privada que anda pelas ruas a perseguir os muçulmanos que têm comportamentos não ortodoxos (na forma de vestir, por exemplo), perante a indiferença das autoridades. Enquanto isso, na província de Cádiz, um jovem muçulmano fez queixa na polícia do seu professor de geografia por este ter falado, nas aulas, das condições em que fabricava presunto (o ministério público espanhol teve, neste caso, o bom senso de arquivar a queixa).
O contraste entre estas situações faz-nos regressar à ideia de que tendemos a olhar para a violência anti-cristã com critérios mais condescendentes ou mesmo com um espírito compreensivo. É como se entendêssemos que todos os cristãos devem carregar um novo “fardo do homem branco”, sendo obrigados a penar, pelos cinco continentes, os pecados da colonização e, por isso, sendo sempre culpados de todos os males mesmo quando estão inocentes…
*Público, 31 Dezembro 2010
Graças a uma aula on-line de Miguel Morgado , tomei há pouco tempo conhecimento de uma figura histórica da qual tinha ouvido vagamente o se...