A bandeira vermelha e verde faz cem anos.
Quis o destino, ou então foram mesmo os portugueses, que o centenário da mudança de regime coincidisse com uma grave crise financeira e política. Será coincidência? Será destino? Será a consubstanciação do nosso fado?
Agora é a 'vermelha e verde', antes dela era a 'azul e branca'. O regime mudou mas a sina mantém-se. Será precipitado concluir que o problema não está no regime mas sim no povo? Será esta uma questão pessimista ou apenas realista?
Não deixa de ser caricato que a celebração deste centenário seja feita pelo governo que em democracia mais atropelos prepertou aos princípios repúblicanos. O apego ao poder, a falta de transparência, a falta de respeito pela coisa pública, o tratamento desigual do cidadão que inegavelmente caracterizam os nossos dias, sao em si uma boa homenagem ao regime ditatorial da Primeira Republica em que os opositores foram perseguidos pela 'Formiga Branca' (antecessora da PVDE e da PIDE), os jornais eram censurados (!!), o numero cidadãos habilitados a votar foi reduzido relativamente à Monarquia (as mulheres nao tinham direito a voto), que alterou a ortografia e que terminou em falencia financeira. A Comissão Nacional para a Comemoração do Centenario da Republica tem assim em mãos uma árdua tarefa de branqueamento historico.
Apesar de tudo isto, os símbolos nacionais são algo a que não consigo ficar indiferente, pois mais que um regime político, representam uma cultura, uma história grandiosa e um futuro ... sempre adiado. Para o bem e para o mal também nos representa a cada um de nós, a nossa identidade e tocam no nosso sentimento de pertença. Por tudo isso, hoje é um dia especial.
