Uma lata de óleo, uns bocados de madeira e umas linhas são suficientes para proporcionar um momento de alto impacto a quem atravessa o Alto Atlas.
Depois de conduzir centenas de quilómetros muito longe do alcatrão, sem se ver no meio de tantas pedras as mínimas condições para ali viver, não se consegue ficar indiferente alguém que nos espera para tocar uma musica para nós com este instrumento artesanal.
Ele, um pastor berbere acompanhado por uns miúdos, passam a primavera e o verão na montanha, esperava-nos há muitos minutos. Desde que nos tinha visto bastantes quilómetros antes sabia que ali iríamos passar. A pista é tão estreita e os declives tão acentuados que não existe alternativa. Quando estávamos a uns dez metros dele começou a tocar.
Ali ficamos durante um breve sempre a ouvi-lo confusos neste misto de expressão musical, arte e necessidade.
Os mais novos correm sua volta a rir envergonhados. Um bate palmas a acompanhar.
Todos andam descalços à volta do carro. Os mais pequenos desviam as pedras do trilho que foram colocadas antes por eles próprios. Sabem que assim obrigam o forasteiro a parar e a agradecer o favor.
No fim entregamos uns 'cadeaux' e continuamos por mais umas horas até chegarmos ao alcatrão.
Vida real, aqui tão perto.