sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sobre a chegada da Selecção ao Aeroporto


 


Ao ver as imagens da chegada da selecção nacional ao aeroporto, talvez por efeito-sugestão das palavras de ordem que se ouviam em megafone ("Vergonha!, Vergonha!"), fiquei envergonhado.


É incrível como existem portugueses que se dão ao trabalho de sair de casa para estar no aeroporto às 6h00 da manhã para incomodar aquela que, independentemente dos resultados obtidos, é a equipa de futebol que representa o nosso país. Sim, fiquei envergonhado pela recepção.


Digo isto e concordo que Carlos Queiroz não foi feliz nas substituições e até na constituição da equipa e, pior que isso, não tem o dom de cativar as pessoas o que lhe complica a natural ambição de ser um líder natural de um grupo de mais de duas dezenas de jogadores com grande experiência internacional. Quem duvidasse dessa sua incapacidade bastaria ouvi-lo na longa de conferência de imprensa que deu antes de regressar da Africa do Sul. Tem uma retórica muito limitada e os profundos conhecimentos técnicos que terá, poderão ajuda-lo a ser um excelente número dois, tarefa que pelo que sabe, desempenhou com saciedade no Manchester United.


Mas importa ainda lembrar que chegamos ao nível das 16 melhores do mundo (lembro que existem 203 países com soberania reconhecida) o que não é vergonha nenhuma, antes pelo contrário.


Até porque eu sou do tempo em que quando chegavam os europeus e mundiais, íamos apenas ver futebol e não ver a selecção (o que é uma diferença enorme) e isto acontecia porque nunca nos conseguíamos apurar. Importa lembrar que desde 1996 estivemos presentes nas fases finais de todos os grandes torneios de futebol de selecções (à excepção do mundial de 1998) e que eu me lembre, sempre passamos a fase de grupos. Todos sabemos que a nossa Selecção é respeitada e até temida pelos nossos adversários.


Queríamos mais? Claro que sim! Mas isso não faz da nossa Selecção e do seu treinador um grupo de bandidos.


Estaríamos bem melhor se no ensino, na competitividade económica, na justiça, nos níveis de emprego, nos níveis de literacia, …   tivéssemos um nível idêntico ao do futebol.


Comparemos a passividade dos portugueses relativa aos muitos abusos e ainda mais carências dos nossos governantes, com o empenho em vilipendiar quem nos representou, insisto, condignamente no Mundial de Futebol.


Estou certo que perante os escândalos consecutivos perpetados pelo nosso PM (licenciatura num domingo, caso freeport, caso PT-TVI, caso Cova da Beira, ... estou certamente a deixar vários casos para trás) nenhuma das pessoas que ali esteve a incomodar a nossa Selecção foi capaz de fazer mais do que encolher os ombros, e isso é prova da magia do futebol e também do tipo de povo que somos.

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