Para um bilião e meio de seres humanos, este é um mês especial.
A práctica do jejum ritual é o quarto dos cinco pilares do Islão. Além do jejum, neste período recomenda-se a práctica mais intensa da caridade, a vivência da fraternidade e dos valores familiares.
O facto deste período ser definido pelo calendário islâmico, um calendário lunar, faz com que seja celebrado em diferentes meses do calendário gregoriano. É imensa a informação que se pode encontrar na internet sobre este assunto.
A imagem que o mundo ocidental tem sobre o Ramadão é muito limitada. Não fosse a fraca performance dos jogadores muçulmanos que actuam no futebol ocidental e esta data passaria quase despercebida.
Há alguns anos estive num país árabe durante o Ramadão e fiquei com uma imagem diferente deste mês, que é um mês de festa.
As cidades são esvaziadas dos trabalhadores de origem rural, pois estes deixam o trabalho e juntam-se à família para junto deles celebrar o Ramadão. Isto implica que tudo funcione em serviços mínimos, ou simplesmente não funcione. Faz lembrar o que se passa no período de férias, com a diferença de que cá isso dura três meses. A título de exemplo, sucedeu-me num Hotel ser avisado que não havia água quente pois a pessoa que acendia a caldeira estava fora da cidade a celebrar o Ramadão.
Ao contrário da ideia de punição do corpo que associamos ao jejum, algumas pessoas com quem falei sobre o assunto justificam-no com base em recomendações médicas, ou seja, podemos compara-lo a um mês de dieta. Alguém discute as suas vantagens?
Ao contrário da ideia de oração e de penitência que associamos ao Ramadão, não deixa de ser incrível a animação que invade as ruas logo que o sol se põe. As esplanadas ficam cheias, os vendedores de comida estão por todo o lado, a música entoa pelos altifalantes do vendedores de cassetes e de CD's, as crianças brincam e correm, alguns jovens dançam, os idosos jogam dominó e outros jogos de mesa e aos mais pobres é oferecida comida e esmolas.
Entendi que almoçar no Ramadão fosse uma falta de respeito pelos muçulmanos e seguindo a máxima 'em Roma faz como os romanos' tive de fazer umas sandes e comê-las enquanto conduzia, sempre com a preocupação de quando me cruzava com outro carro não ser apanhado com a boca na botija, quer dizer, da sandoca.
Tive um guia que me explicou que estão dispensados do jejum as crianças, os idosos e os doentes. Pediu-me para parar ao anoitecer para rezar e depois disso aceitou um iogurte.
A ideia que fazemos do mundo árabe e do Islão é deturpada por muito ruído noticioso, facto que interessa, e muito, a uma extremamente reduzida minoria de islamitas radicais, que ganha relevo quanto maior for o atrito entre o mundo ocidental e o mundo árabe. Têm ambições de poder e para isso não hesitam em aliciar jovens para se suicidar em nome de uma religião que apela à paz e ao entendimento entre os povos.
Texto já editado aqui.
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