Muita tinta já correu sobre os problemas causados pela introdução do cartão do cidadão nas últimas eleições.
Após as conclusões do inquérito que pouco a pouco se vão tornando públicas e perante a insistente recusa do Ministro Pereira em assumir qualquer responsabilidade, podemos dizer que estamos perante um caso que serve para demonstrar que os actuais governantes não assumem, nem assumirão, as responsabilidades pelo estado em que deixarão o país após quinze, ou dezasseis anos de governação. Quem se surpreender que se levante, que eu fico sentado.
Mas para além disso serve, ou devia servir, para avaliar as consequências de afastar dos lugares de decisão da administração pública os quadros de topo que permanecem mesmo quando os governos mudam, ao invés de os preencher com boys, formalmente definidos como 'cargos de confiança política'.
Em Itália, um país que transmite consistentemente sinais de que tem uma classe política de medíocre gabarito, consegue que os serviços prestados pelo estado não dependam directamente de tais senhores, pois os respectivos funcionários evoluem dentro dos serviços, chegam ao topo da carreira com responsabilidades e lá se mantêm mesmo quando mudam os governos. Pode ver-se isso, no ensino, na saúde, na administração pública, na justiça, etc.
Nesse cenário e perante um caso como o que agora debatemos, poder-se-iam exigir responsabilidades formais, cíveis até, sobre quem não cumpriu o seu papel, ao invés de apenas exigir uma demissão política sem consequências além da mudança da fauna em questão.
Mais do que pedir a cabeça do ministro, gostava de ouvir o PSD a manifestar-se sobre este assunto.
Para grandes males grandes remédios: acabou-se com o número de eleitor e está tudo resolvido. Já nem é preciso a opinião do PSD!
ResponderEliminarA ideia de acabar com o cartão de eleitor até pode ser boa, mas para o comprovar o governo devia demitir-se a convocar novas eleições. Só para ver como corria...
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