domingo, 29 de agosto de 2010

Praktica BMS

Este post do Pedro Correia, no Delito de Opinião, acordou em mim várias memórias assim como uma forte vontade de regressar às Azenhas do Mar. Deixei no Delito um comentário que aqui quero reproduzir. Aqui vai:


 


Um dia comprei em Andorra uma máquina fotografica que viria a tornar-se um objecto quase mitico da minha juventude. A marca prometia facilidades, Praktica e no fundo tinha inscrito o país de fabrico que pouco tempo depois deixou de existir, DDR.
Com ela aprendi a usar a luz e a velocidade para guardar imagens em películas, que depois de reveladas se guardavam em envelopes especiais que as protegiam da luz e do pó. Os pixeis, esses, chegariam muito mais tarde. Para ver o resultado era necessário esperar algum tempo pela revelação e além disso cada imagem custava mais de 100$00. Tudo isso contava para que cada disparo fosse um momento solene.
Viajou comigo por muitos quilómetros e juntos cruzamos algumas fronteiras, muitas menos do que a nossa vontade exigia, é certo, mas sempre cumpriu na ilusão de que carregando num botão seria possível guardar algumas vivências para sempre.
Um dia nas Azenhas do Mar, exactamente no local onde a imagem que o Pedro aqui colocou foi recolhida, um elemento do obturador, cansado, soltou-se e a máquina deixou de funcionar. Após várias visitas a casas da espacialidade o diagnóstico foi unânime, não valia a pena reparar.
Como quem vê um amigo a partir, consolou-me o facto de que o ultimo disparo tivesse acontecido ali, de frente às Azenhas.


 



Durante algum tempo pensei que este seria o fim da história, mas alguns anos mais tarde, já no tempo dos pixeis, encontrei uma máquina usada do mesmo modelo à venda. Comprei-a para dar de prenda de anos à minha irmã, alguns anos mais nova e também interessada pela estranha química das imagens congeladas.
Hoje usa-a em simultâneo com uma poderosa máquina digital, e exibe-a com falsa modéstia entre os amigos designers que num silêncio esverdeado a invejam. Ao lado da Praktica BMS, os iPod's, iPad's, iPhone's, etc, todos ficam em segundo plano.


Há pouco tempo perguntou-me se eu tinha a consciência de que a Praktica tinha sido a sua melhor prenda de sempre.


 


Obrigado Pedro por ter motivado este texto.



2 comentários:

  1. Ana Rita SousaInfelizmente29 de agosto de 2010 às 21:43

    Desta história familiar desconhecia o detalhe das Azenhas.
    Este objecto é mítico para mim também.
    A primeira parte da minha relação com esta máquina prende-se com repetidas memórias de infância em que observava o meu irmão, as suas experiências e por vezes servia de modelo.
    Lembro me que desde sempre o objecto exercia sobre mim um enorme fascínio , despertava uma curiosidade tremenda de experimentar mas também um certo respeito!
    Anos passados, lembro me de ter imensa curiosidade de experimentar a máquina, mas nessa altura já não funcionava.
    A segunda parte da história começa num Natal (foi uma prenda de Natal Paulo!) e lembro me de ficar super entusiasmada com a possibilidade de finalmente experimentar a máquina.
    Descobri passado poucas experiencias que essa máquina tinha também uma avaria irreparável , descobrimos por sorte um habilidoso mecânico fotógrafo que quase com magia juntou as duas máquinas numa só a funcionar.
    Uso a máquina regularmente e de facto devo confessar que a exibo com o maior orgulho, além desta história por trás, produz imagens incríveis!
    Foi com certeza o melhor presente que o meu irmão já me deu!

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    Respostas
    1. Não me lembrava do detalhe do dois em um, o que faz que a minha máquina ainda esteja no activo, como se de um dador de orgãos se tratasse. Tenho mais peças aqui em casa...
      Fiquei surpreendido com a revelação que tinha sido a tua melhor prenda de Natal, pois pensava que tinha sido um par de meias com dedos que comprei no Colombo...

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