quinta-feira, 15 de julho de 2010

Sobre a gestão cínica do calendário político


 


Olhando para a auto-estrada sem portagem que se abre dia após dia para que Pedro Passos Coelho chegue a Primeiro-Ministro, questiono-me se não deveria o PSD tomar as rédeas dos acontecimentos e em vez de gerir calendários eleitorais. Fazer algo pelo país hoje é diferente de o fazer daqui a um ano ou dois. A realidade de hoje é diferente do que será 2011 ou 2012 (La Palisse não diria melhor) e o país sabe que é necessário inverter a trajectória. Há que fazê-lo quanto antes. Se os dias corressem linearmente sem perturbações nunca um vulcão esquecido na Islândia interromperia o quotidiano de meio globo, nem o Tsunami no extremo oriente teria acontecido. E no entanto, sem ninguém os esperar, aconteceram. Achará o PSD que tem todas as variáveis no bolso?


Será que deixando o PS cozer em lume brando não estará a ser demasiado cínico para um partido que quer ser alternativa?


Claro que todos gostamos de assistir ao estertor político de Sócrates, que todos os dias nos brinda com uma nova sessão de break-dance dentro de uma poça de ridículo. Mas o tempo passa e, como aqui diz o Eduardo, estamos apenas a deixar passar o tempo, sem nada fazer. Não faz sentido. A história mostra que os líderes visionários foram capazes, eles próprios, de marcar o quotidiano dos outros e não o contrário.

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